#150 - Minha ascensão social por frete grátis
Uma história real sobre bugigangas, algoritmos e autoengano
Olá. Meu nome é Andrea e estou há 3 dias sem comprar na Shopee.
Brincadeira, estou limpa há mais tempo.
Mas não estou livre do vício de ver posts de “Achadinhos da Shopee” no Instagram. Adoro. Comento “quero” em todos. Entro nos links. Coloco as coisas no carrinho e depois, em um lampejo de consciência (que dura menos que um stories de 15 segundos), vou tirando.
Para que mesmo preciso de um limpador de pincéis de maquiagem, sendo que nem maquiagem eu uso? Ou um motor de cortina para uma casa que só tem persianas? Ah, vai que um dia eu resolva virar uma pessoa que tem cortinas motorizadas. O algoritmo acredita em mim mais do que eu.
Mas, caraca, parece que aquela esponja de limpeza 5 em 1 funciona de verdade. Cinco funções que eu não sei nomear, mas confio plenamente.
A etiquetadora fofa eu sei que funciona, porque comprei e etiquetei todos os materiais escolares das crianças com ela. Com adesivos customizados, claro, feitos no app que a gente baixa para poder imprimir. Mariana escolheu colocar, na frente do seu nome, inúmeras figurinhas: um gatinho, uma corujinha, uma moldura de florzinhas… E lá foi ela pra escola, feliz da vida, e eu fiquei aqui com meu ego virginiano massageado. Bem que no post dizia que esse é um item que “só quem é organizada de verdade tem”. Senti que estou em um patamar acima no quesito organização humana. Desculpa aí.
Sabe o que funcionaria bem com a etiquetadora? A seladora manual que acabou de aparecer pra mim. Eu poderia embalar e selar os livros que vender e ainda colocar um adesivo fofo com um “obrigada” e um coração. Comentei “quero” na postagem e daqui a pouco vou fuçar nos links, porque meu cérebro confunde consumo com projeto de vida.
Aliás, recentemente descobri um perfil chamado “Achadinhos de Artesã”. Uma tragédia anunciada. Ela indica máquinas pequenas e caseiras para personalizar canecas, papelaria, camisetas e, em três posts, eu já me imaginei criando presentes personalizados para a família, lembrancinhas para os aniversários das crianças e - por que não? - uma lojinha online com identidade visual e tudo.
No meio da fantasia aparecia até o perfil da minha loja. Uma loja inteira que só existe no meu cérebro. O lugar onde todos os meus projetos dão certo. Em seu perfil, eu apareceria mostrando todas as coisas fofas que iria criar e falaria sobre empreendedorismo criativo.
Pena que, pra fazer uma criação de conteúdo boa de verdade, precisaria de um microfone decente e a iluminação adequada. Ih, olha só, tem um perfil de achadinhos aqui que está indicando coisas que todo criador de conteúdo PRECISA ter. Comenta “conteúdo” pra receber os links? Claro, agora mesmo.
C-O-N-T-E-Ú-D-O
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Opa! Desculpa a demora. Comentei no post dos cacarecos para criação de conteúdo e fui sugada para o buraco negro dos achadinhos. Pensando aqui seriamente em comprar algumas coisas que vão fazer a minha casa ficar com cara de casa de rica. Rica de feed bonito. Rica de vídeo com trilha lo-fi. Feliz no simples, com minha luminária touch aesthetic e minha sapateira basculante de madeira ripada.
Ostentarei bastante minha vida “de Pinterest” com orçamento de feira. Tenho certeza que minha vida será mais organizada, silenciosa, harmoniosa. Os achadinhos hão de me proporcionar essa ascensão social simbólica: não fico rica, mas fico parecendo alguém que quase ficou. Sim, a sensação vai ser boa. Até que chegará o dia da fatura do cartão fechar e eu descobrir que a única coisa que realmente mudou na minha vida foi a quantidade de tralha acumulada. Mas veja pelo lado bom, pelo menos elas estarão todas organizadas em caixas transparentes e cestos de palha.
Não aprendi dizer adeus
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Essa crônica já estava na minha cabeça há um tempo, porque antigamente tenho aberto a lupa do meu Instagram e dado de cara com inúmeros posts de achadinhos. Antigamente tinha ballet, tênis, decoração, lulus da pomerânia e Bon Jovi. Agora tem achadinhos e cosméticos coreanos.
Aí, hoje de manhã li um post que me inspirou a colocar as palavras no papel: "Coisa de pobre", da newsletter de Eva Uviedo, publicado em setembro de 2025. É um texto muito bom em que ela reflete sobre a mobilidade de classe, o medo de "voltar à pobreza", e essas formas de simular "coisa de rico com preço de pobre" que ela define como... coisa de pobre. 😄 Só leiam!
2
Na última edição, falei sobre como quase caí no golpe do IR e dei algumas dicas pra você ficar esperto também. Hoje vou falar sobre o meu iPhone que, inexplicavelmente, começou a me dar alertas de que havia água no conector assim que eu conectava-o ao cabo da bateria. O engraçado é que não havia. Ele não foi molhado. Mesmo assim, segui o protocolo Apple: batidinhas na mão, colocar em local arejado e esperar de 30 minutos a 24 horas para a água “secar”. Não adiantou.
Aí, depois de uns vídeos no YouTube, uma solução diferente: baixar um atalho que se chama Water Eject. É assim: você entra no app “atalhos” que já vem com o iPhone, clica no símbolo de + e busca water eject. Instala e põe pra funcionar. O celular vibra emitindo um som grave e, mesmo não saindo água nenhuma, resolveu o meu problema. Se aparecer aí, já sabe o que fazer.
3
Comecei a usar o Claude ao invés do Chat GPT. com sua função cowork, ele limpou meus arquivos e organizou minha pasta de downloads. Também fez o envio de 20 e-mails customizados para clientes, um a um. Achei legal a brincadeira, mas acabou meu crédito. Agora, só posso pedir algo assim mais elaborado a partir de quarta-feira. Sim, tem esse problema.
Tem outra coisa também: o Chat GPT já tem meu histórico de pelo menos 2 anos. E pra mudar? Como li por aí, é igual mudar de terapeuta, baita preguiça. Ainda bem que encontrei algumas dicas bem práticas pra isso na edição dessa semana da news da Monica Magalhaes, que eu adoro.
4
Tão real isso aqui que a Monique Evelle escreveu: como uma empresa que pagou mais de R$ 50 milhões para ter uma embaixadora não conseguiu fazer com que ela preferisse o próprio produto ao do concorrente? Para a gente ver que marketing de influência de verdade não é somente pagar e mandar briefing. Vale a pena a leitura nessa edição.
5
O que mais eu li esses dias:
Andrea Salgueirinho refletindo sobre envelhecer
Marina Cyrino Leonel se divertindo com momentos de criancices
Gabi Miranda poetizando sobre o sol
Mas deixo você ir
Amanhã é dia de evento no trabalho. Vai ser um dia sem tempo pra achadinho nenhum, mas se você quiser algum link citado nessa edição, digita “QUERO” nos comentários. Hehehe
Um beijo,
Andrea
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Grazadeus eu sempre fujo da Shopee. Não tenho paciência pra ficar procurando ou comprando e sempre fico desconfiada das coisas (disse a pessoa que comprou um móvel para colocar as cosas de papelaria) hahaahha
até aqui, tenho driblado com sucesso achadinhos de apps, IAs e bets: nunca baixei nenhum dos aplicativos destas categorias. 😬