#149 - Diário estatístico de uma pessoa comum
Uma crônica sobre comunicação, trânsito, golpes, autocuidado e outras pequenas batalhas invisíveis da semana
Quatro. Quatro canais de comunicação diferentes são usados pela escola dos meus filhos para informar os pais sobre qualquer coisa. Do cardápio da cantina aos eventos da semana. Da lista de materiais à coordenação do transito na porta. WhatsApp, E-mail, aplicativo e, muitas vezes, a agenda física das crianças.
Fora isso, tem as reuniões. Para preparar os pais para o a transição do fundamental 1 para o 2, a escola organizou 3 reuniões. Mais a reunião inaugural, no início deste ano, onde eles repetiram quase tudo das outras três reuniões anteriores e tiraram dúvidas, muitas dúvidas.
Aí vem a mãe no grupo de mãe do WhatsApp dizer que a comunicação da escola é falha. Que ninguém avisa nada. Que nunca recebeu nada. Que tal coisa a pegou de surpresa. Que ela não consegue se organizar desse jeito. E não adianta argumentar com ela.
— Fulana, falaram isso em reunião.
— Ah, mas eu não fui na reunião.
Como disse uma amiga, é por pessoas assim que na caixa de ovo vem escrito “contém ovo".
Treze. Treze foram as pessoas que passaram atrás do meu carro enquanto eu estava dando ré. Estacionei na vaga de recuo na frente do lugar onde pratico beach tenis e, para sair, era preciso dar ré, prestar atenção no fluxo da avenida para avançar assim que o sinal ficasse vermelho. Você conhece o procedimento.
Engatei a ré e andei um metro e pouco para trás, para ter uma melhor visão do fluxo e já me posicionar para entrar na avenida . Ré engatada, carro já na beira da calçada rebaixada, motorista olhando para a direita. Aí vem o pedestre e passa atrás. Depois mais um. Depois outro que veio pela esquerda e eu quase não o vi. O indivíduo passou mesmo atrás de um carro com a ré engatada pelo lado contrário do mão do trânsito? Sim, passou. “Se quiser se matar, favor escolher outro carro", falei sozinha, com os vidros abaixados, com vontade de gritar para o sem noção.
Enfim, o farol fechou. O movimento da avenida aquietou-se. Mas quem disse que eu consegui sair? Bem nesse momento, nesses segundos de farol fechado, algumas pessoas resolveram passar atrás do carro. Mesmo ele estando quase na avenida. Mesmo que elas fossem obrigadas a sair da calçada e andar pela rua. Mesmo que na frente do carro tivesse mais que o dobro do espaço para os pedestres não precisarem esperar a minha manobra para seguirem seus caminhos. Por que raios essas pessoas não passam pela frente do carro?
Olha, sei que diminuíram a obrigatoriedade das não sei quantas horas de auto-escola, mas noções de trânsito deveriam ser ensinadas na escola.
Duas. Duas foram as pessoas que passaram na frente do carro enquanto eu estava dando ré. Só duas.
Um. Um drink. Só um mesmo, numa festa pré-carnaval que durou 7 horas. Um e meio, vai, considerando que tomei metade do “chorinho” que o barman deu à minha irmã. Não sei, estava sem vontade de beber. Tentei uma cervejinha, porque eu adoro uma cervejinha, mas ela não estava estupidamente gelada e não me apeteceu. Fiquei lá, sóbria, dando água para quem estava bebendo com mais afinco. Virei a tia chata, como disse a minha irmã, embora eu tenha me divertido, dançado e dado muita risada a noite inteira. Não sei se estou parando de beber para me encaixar na nova tendência entre os jovens ou se estou consciente que, aos 45 anos, a ressaca é brutal e é melhor evitar a fadiga.
Cinquenta e seis. Estou há cinquenta e seis dias sem usar meu Duolingo. Meu filho me perguntou por que eu deixo o Widget do Duolingo ativo na tela principal do meu celular, se não faço as lições. Respondi que é porque eu adoro ver o Duo sofrer. Tem algo de sadismo nisso, tenho certeza. Será que deveria levantar esse tema na terapia?
Trinta e duas. Trinta e duas pessoas vão viajar conosco nesse carnaval. Não conheço nem metade e achei que iríamos só em oito. Deu preguiça, sabe? Acho que estou mesmo virando a tia chata da balada.
Cento e trinta e oito e cinquenta. Cento e trinta e oito reais e cinquenta centavos era a dívida ativa que eu supostamente tinha com o governo, devido a uma também suposta irregularidade no imposto de renda. Mentira. Quase caí em um golpe.
Recebi uma mensagem no Whatsapp com link para regularização com ameaça de bloqueio das minhas contas, CPF, vida, tudo. Cheguei a entrar no chat site falso e a interagir com um bot nomeado Vânia Alencar, auditora fiscal. Cliquei em gerar pagamento com pix quando, em um golpe de consciência, pensei: será?
Entrei no Google e pesquisei sobre o site “portalgovoconsultas.com” e para a surpresa de um total de zero pessoas, este não é um site oficial do governo. Para consultar dívidas ativas, o portal é o www.regularize.pgfn.gov.br. Acho que vale deixar aqui também algumas informações, para caso você também receba este tipo de mensagem:
O governo NÃO envia links por WhatsApp ou SMS para cobrança de dívidas.
Golpistas enviam boletos falsos ou chaves Pix falsas alegando urgência, ameaçando bloquear bens. Desconfie de promessas de descontos exagerados imediato.
Cuidado com o nome: Golpistas usam “Regularize” ou “Gov.br” para criar sites falsos.
Seis. Seis foram os quilos que eu eliminei nos últimos 4 meses. Estou feliz com isso. Não estava contente com meu corpo. Sou pequena, qualquer quilo a mais me deixa pesada. Além disso, minha médica (e amiga), ao olhar meus exames, exclamou: “Dea! Se você não praticasse tanto esporte, você seria obesa". Foi o momento de voltar a olhar para mim. A cuidar de mim. A deixar o pacote de Oreo de lado. Meu marido diz que estou um tanto obsessiva, mas não tô nem aí. Ao contrário, estou feliz por me sentir confortável na calça jeans. Engraçado que, no meio de tanta gente distraída, golpe digital e pedestre kamikaze, o que deu pra controlar fui eu.
Não aprendi dizer adeus
Como acontece todos os anos, estou obcecada pelo show do intervalo do SuperBowl. Meu marido é um grande fã de futebol americano e, desde que começamos a namorar, assistimos juntos este, que é um dos maiores espetáculos esportivos da TV americana.
Como publicitária, adoro ver os comerciais, que são produzidos especialmente para este momento. Como espectadora, gosto do show do intervalo. Sempre fico impressionada com a rapidez com que montam e desmontam os cenários.
Confesso que os últimos anos tiveram shows bem chatinhos. Rihanna (em 2023), Usher (2024) foi animado, mas zero marcante, Kendrick Lamar (2025) para mim foi um grande bleh (embora os americanos tenham amado), até que veio, em 2026, Bad Bunny.
Vou ser sincera, não conheço quase nada dele e não sabia o que esperar. Muito se falava, na imprensa americana, que o show seria mais um polarizador da população dos EUA, que, mesmo sendo metade latina, ainda sofre com xenofobia, ainda mais durante o governo de Trump. Mas o que se viu foi uma coisa linda. Bad Bunny cantou a plenos pulmões que somos todos americanos e nomeou os países de todas as americas, um a um. Clamou ao amor ao invés do ódio e, mesmo eu não conhecendo nenhuma daquelas músicas, fiquei babando na produção impecável e no entretenimento entregues.
Introdução feita, deixarei os links falarem por mim:
Ainda não tive tempo de ver os comerciais desse ano, mas meu amigo Samuel me mandou um link com todos eles, que compartilho aqui com você.
Hollywood investiu US$490 milhões para a divulgação de trailers durante o intervalo do Superbowl. Veja quais foram os filmes escolhidos (tem um do Brad Pitt, ladies).
Referências e mais referências no show do intervalo. Eu adoro!
Cada detalhe da roupa de Bad Bunny carrega um simbolismo.
Tweets engraçados sobre o show.
Amei essa relação criada entre o show de Bad Bunny com literatura latinoamericana.
Sazón aproveitou o gancho de uma frase da letra de uma música de Bad Bunny que diz que, aos americanos, “les falta Sazón", para reforçar que é uma empresa 100% brasileira.
🤓 Leia também:
Reli a news sobre o SuperBowl de 2022 e achei beeeem boa. Vem ver:
E ainda tem mais algumas newsletters para vocês.
O que eu li essa semana:
Edição linda sobre o amor na news da Gabi Miranda
Eu adoro a delicadeza de Jornada dupla, essa crônica ficcional da Marina
“Ano passado eu emagreci”, disse Vanessa, ainda tentando se encontrar na nova forma.
Saí enviando pra todo mundo essa edição sobre os novos símbolos de status, da Mariana.
Me identifiquei pelo amor do Tiago pelo tênis e precisei compartilhar.
Estou doida para assistir Hamnet, ainda mais depois da resenha da Cynthia
Adorei a reflexão da Gabi sobre IA na edição “você assistiria uma Olimpíadas de robôs?”
Mas deixo você ir
Não sem antes agradecer a você por me ajudar a chegar na marca de MIL ASSINANTES. Alguém ainda precisa me beliscar, porque não acredito. MAs ganhei até parabéns oficial do Substack, gente. Achei chique.
E, antes de me despedir, sigo a tradição de carnavais passados e deixo você com a maior preciosidade da TV dos anos 90.
Um beijo e bom carnaval,
Andrea
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adoro te ler! obrigada por compartilhar <3
O que essa viagem com muita gente vai render de crônica.. já tô ansiosa pra ler hahaha.
Eu realmente percebo o quanto as pessoas estão impacientes no trânsito. Pego uma avenida super movimentada para chegar no trabalho, tenho que olhar pra tudo quanto é canto, pq sempre aparece um ser de luz que decide passar quando o farol ta verde para pedestre 🤡.