#148 - Batendo na bola
Quatro anos de newsletter. O que é que me motiva a continuar?
Essa é a primeira edição do ano. Ainda é janeiro. Será que eu deveria falar sobre resoluções de ano novo, ou esse é o primeiro passo para a total frustração dos meses a seguir?
Para quem chegou agora, bem-vindos à newsletter Andrea Me Conta. É uma alegria ter você por aqui, para divagar, rir, refletir e relaxar comigo. Essa é uma newsletter sobre… bem… tudo. Tem dias que tem crônica, dias que tem pensata, dias que tem um pouco de marketing e comunicação, porque, embora eu já tenha tentado abandonar esse meu lado, falhei miseravelmente. Então, sem fórmulas. Cada semana, um papo novo pra gente jogar conversa fora. Combinado?
Agora vamos começar.
Devagarinho até embaixo, embaixo, embaixo…
Não, pera.
Sem axé das antigas porque ainda não é carnaval.
And… como ainda não é carnaval, volto à pergunta anterior: deveríamos fazer uma lista de resolução de ano novo, ou esse é o primeiro passo para a gente se frustrar?
Prometi a mim mesma que não faria planos, mas, sem querer, me peguei com os objetivos na cabeça. Só não os anotei. Melhor não anotar, senão vou acabar tendo uma lista como a de 2025:
Juro que não coloquei como objetivo subir no ponto mais alto do Everest ou ganhar uma competição de comedores de cachorro-quente. As metas do ano passado eram simples, como melhorar a alimentação, aumentar a musculação para mais um dia na semana, ter mais foco no trabalho, começar o novo livro, atingir nota máxima no karaokê… essas coisas que todo mundo quer.
São as mesmas desse ano… 🫠
São as mesmas deste ano… 🫠
Aliás, faz uns dez anos que eu traço mais ou menos as mesmas metas. Nunca cumpri direito, mas nunca me importei, até porque, sempre que as escrevo em algum lugar, nunca mais volto para conferir. Até que, em dezembro de 2025, ao limpar o aplicativo de notas do iPhone, percebi que a minha lista estava lá, mas os objetivos não tinham sido atingidos.
Será que tem faltado foco?
O que será que me impede de alcançá-los?
Um dos pontos que identifiquei foi: falta movimento.
Quando a gente se coloca em movimento, as coisas acontecem. Isso a gente já viu em vários perfis de gurus digitais no Instagram, né? Pois é… tô cansada de saber e de não fazer nada a respeito.
Não estou dizendo que sou mole, mas, muitas vezes, ao invés de mexer o doce, fico meio prostrada jogando Block Blast no celular. Procrastinação, sabe?
Você já se sentiu assim? Como se estivesse enterrada na areia e não conseguisse se mexer?
Coloquei, portanto, na lista de resoluções da minha cabeça: perder o vício em Block Blast.
Bom, até aí tudo bem. Parece fácil, não parece? Mas não é. A preguiça toma conta do meu corpo. É mais fácil jogar joguinhos no celular do que se movimentar para sair do buraco de areia e tocar a vida.
Eis que, no meio das minhas férias, li uma edição da newsletter The Curiosity Chronicle, do autor best-seller Sahil Bloom, que tinha como título: A Regra Djokovic: Você gosta de bater na bola?.
Nela, o autor fala sobre uma entrevista de Novak Djokovic, em 2015, quando foi questionado sobre os fatores que impulsionavam seu excepcional sucesso nas quadras.
Sua resposta foi simples:
“Consigo continuar jogando neste nível porque gosto de bater na bola.”Quando o entrevistador insistiu, perguntando se havia jogadores que não gostavam, ele prosseguiu: “Existem pessoas por aí que não têm a motivação certa. Eu percebo isso. Mas não as julgo.”
Fiz uma pausa na leitura. Olhei-me no espelho. Será que eu gosto de bater na bola? Será que eu gosto mesmo de fazer ginástica, escrever ou cantar no karaokê? E meu trabalho, será que ele me deixa com um brilho no olhar, pelo menos na maior parte do tempo?
O pior é que eu tenho.
Peguemos a escrita, por exemplo.
Eu adoro escrever, mas vinha me sentindo estagnada na escrita. Passei um mês sem escrever nem uma linha. Talvez fosse culpa do Block Blast. Talvez fosse por me comparar demais e constantemente me perguntar “pra quê?”.
Coincidentemente, mal entrei no Substack neste último mês. Para falar a verdade, mal li e-mails nesse período. Não reclamo: as férias foram muito bem aproveitadas. Mas, depois que elas acabaram, veio a estagnação. Como se eu não soubesse mais pegar na raquete para bater na bola, usando o exemplo do Djoko.
Até que a rotina começou a voltar aos poucos, e o Substack voltou a fazer parte da minha rotina. Eu assino tanta newsletter legal… Mal tenho tempo de ler tudo, é verdade, mas vou abrindo uma aqui e outra acolá. Isso foi me enchendo de energia e vontade de voltar a criar. Senti saudades da Andrea Me Conta, e isso foi o suficiente para me tirar da letargia.
Escrevi uns dois textos que foram para a lixeira porque eles eram, de verdade, o puro suco do lixo digital, mas extremamente importantes para que eu me lembrasse de como se bate na bola.
Depois de saques na rede e smashes para fora, lembrei-me de uma parte do livro “Mostre seu trabalho” de Austin Kleon (o mesmo de “roube como um artista”), em que ele fala sobre como observar amadores trabalhando pode nos inspirar a trabalhar também. Isso porque os amadores, por não terem nada a perder, abraçam o incerto e o desconhecido sem medo.
Sabe quando um autor escreve um livro que é sucesso de crítica ou quando um diretor de cinema ganha um Oscar e a pressão em cima de seus próximos trabalhos aumenta? Esses caras têm muito a perder. Já o amador…
Vou chamar isso de “efeito Substack” (e quem sabe alguém me cite por aí algum dia), pois, na rede social das newsletters, estamos todos nos aperfeiçoando aos olhos da nossa audiência. Estamos encontrando nossas vozes ao usá-la constantemente. E, citando Kleon, somos todos “pessoas normais que gastam boa parte do tempo pensando alto sobre algo pelo qual são obcecadas”.
É claro que peguei o livro Mostre seu trabalho da minha estante para evitar escrever qualquer besteira aqui. Aproveitei para folheá-lo um pouco, ler as partes grifadas e os destaques que o próprio autor dá a certas frases, e achei que, além do trecho sobre agir como amadores, isso aqui também caiu como uma luva:
Engraçado que eu já sei disso. Já comecei a escrever sem saber o que viria pela frente, como nessa edição recente, que acabei contando causos da minha constante perda do celular. Mas, mesmo assim, a tal pergunta “sobre o que vou escrever?” vive rondando minha cabeça ANTES de começar. Quem sabe agora, depois de mais um texto falando sobre isso, eu aprenda, não é?
Dito isso, voltamos então ao Sahil Bloom e à sua Regra de Djokovic, que diz o seguinte:
É preciso gostar das ações essenciais e repetitivas que formam a base do trabalho para conseguir se colocar em movimento e cumprir as metas de longo prazo.
Vou anotar as metas mentais e, no ano que vem, volto aqui para contar se consegui cumprir mais que três ou se já consegui passar dos 200 mil pontos no Block Blast.
Essa newsletter completou 4 anos!
Quer maior prova de que eu gosto de “bater na bola” do que completar 4 anos escrevendo constantemente?
Embora o primeiro texto tenha sido postado em 29 de novembro de 2021, ele não foi criado para essa newsletter. Ele está ali só para eu poder testar essa ferramenta chamada Substack. Na verdade, postei o mesmo texto, na mesma data, no Medium, para poder comparar os dois.
O segundo texto também foi para as duas plataformas, mas algo me chamou a atenção: recebi, sem divulgação nenhuma, 4 curtidas e um comentário de uma pessoa que não conheço: “AMEI seu texto!!! Super real!!! Parabéns!!!”.
Sinal amarelo. Opa! Pode ser que aqui eu encontre a troca que ando buscando.
Finalmente, em 17 de janeiro de 2022, escrevi um texto com as resenhas dos livros que li no ano anterior e já comecei a divulgar aos amigos que estava começando uma newsletter chamada Andrea Me Conta. Olha só o post no Instagram, que tosquinho. Hahaha!
O caminho até aqui não é fácil. A gente aprende muito.
Aprendi, por exemplo, que não vou ter assunto sempre, e isso é incrível para criar um processo de criação e para aprender a tirar coelhos da cartola.
Que meus amigos não são necessariamente meus leitores, e essa escolha é deles. Inclusive, aprendi a não ficar triste se alguns amigos não forem meus assinantes, porque eles não são obrigados. Tenho minha lista negra, mas faço de conta que não me lembro disso quando estou na presença deles.
Também vi como o hábito nos dá confiança para buscar sempre mais. Prova disso foi o lançamento do meu livro, o Engravidei, em meados do ano passado. Um sonho de vida alcançado.
E, acho que o mais importante, aprendi que a escrita conecta muita gente. Já encontrei gente do Substack no offline e sinto que tenho carinho por alguns escritores e leitores que nunca vi pessoalmente. Doido, né? Pelo menos (ainda) não é carinho por nenhuma IA. 😜
Mas a principal comemoração tem que ser com você que está aqui hoje. Se escrevo há 4 anos, é porque você me incentiva. Por isso, deixo aqui o meu MUITO OBRIGADA, de coração. “Abertura de e-mail” pode até parecer uma métrica fria, mas é, pra mim, a prova de que não estou falando sozinha. Aliás, sempre que quiser bater papo, pode responder a este e-mail ou deixar um comentário aqui na página. Eu a-do-ro!
E o marketing, Andrea Cristina?
(sim, essa seção está de volta. Talvez seja só por hoje, mas não tinha como não escrever sobre esse tema).
Acabei de ver no Hugo Gloss que é bem possível que o próximo show de Copacabana seja a eterna diva do pop Y2K, Britney Spears.
Gente, sério.
Vocês entraram no perfil de Britney Spears recentemente?
Vergonha alheia define.
Durante anos, vimos uma superexposição sem estratégia, vídeos constrangedores, silêncio criativo e um público sem saber como olhar para aquela figura que já foi um ícone absoluto. Se fosse para dar uma nota, seria dó.
Como é que uma pessoa que já teve a mídia nas mãos não conseguiu se manter?
Porque, do ponto de vista de marketing, Britney é uma marca. Só que, como podemos perceber, uma marca que está totalmente sem direção.
O problema nunca foi talento (ninguém faz o yeah, yeah, yeah, yeah, yeah, yeah como ela). Nem excesso de exposição. O problema foi a narrativa.
A Britney não estava “acabada”. Estava fora de controle narrativo. Passou por poucas e boas? Passou. Mas quem contou a história enquanto ela estava perdida?
E aí, de repente, no meio de um vídeo constrangedor aqui e outro ali, começam a pipocar especulações sobre seu possível retorno. E não qualquer retorno e sim com uma parceria de peso por trás. Estou falando de Kris Jenner, a matriarca Kardashian. Essa mulher não brinca em serviço. Ela gerencia muito mais que pessoas. Gerencia atenção.
Para tudo.
Kris Jenner sabe que toda marca (especialmente falando de marcas pessoais) passa por fases constrangedoras e que o público perdoa se houver arco narrativo que faça sentido. Ela sabe que redenção vende mais do que perfeição. Afinal, somos todos imperfeitos, não somos? Com quem você mais se identifica, com quem erra ou com a pessoa perfeita?
A Britney “louca do Instagram” não precisa ser apagada. Precisa ser ressignificada. E essa millennial que vos fala está animadíssima para acompanhar os próximos capítulos do que promete ser um dos maiores babados um dos maiores cases de rebranding da cultura pop.
Anota aí no caderno de marketing:
marca nenhuma morre por parecer perdida.
Morre quando ninguém assume a narrativa.
Engravidei!
Meu livro, o Engravidei, está com 20% de desconto no site da Editora Caravana até dia 31/01. É a promoção leitura de férias (embora devesse chamar promoção volta às aulas). Aproveite para garantir o seu AQUI!
Só lê no Kindle?
Não tem problema, o Engravidei lá tem um valor simbólico de R$9,90. Ou, melhor ainda, se você for assinante do Kindle Unlimited, pode ler sem pagar nada.
Não aprendi dizer adeus, mas deixo você ir.
Sem mais links, porque estou sem tempo e aposto que você também.
Mais uma vez, obrigada por ler a Andrea Me Conta.
Nos vemos novamente em breve.
Um beijo e feliz 2026!
Andrea
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Ebaaaaaa! Ela voltou!!! 🥰
Dea, eu não fiz listas de metas esse ano, e já tem um tempo que não faço. Mas tenho uma listinha bem curta de coisas que, se eu fizer, já vou me dar por estupidamente contente. E, nesse ano, talvez a minha punica meta seja a publicação do meu livro. Que eu não gosto de chamar de meta....
Além disso, tem uma prática que mantenho há alguns anos e que até estou escrevendo sobre na news: escolher uma palavra que me guia ao longo do ano. Tenho achado isso muito mais próximo da minha realidade e da minha verdade. Inclusive, a palavra de 2026 já está escolhida.
E acho também que, muitas vezes, o erro ao definir metas é fazer listas longas demais, quando talvez elas devessem ter, sei lá, três itens, e não consumir tanto da nossa energia e do nosso tempo.
Explico: você comentou sobre incluir mais um dia de academia. Se você já tem alguns dias de academia na rotina, por que precisa acrescentar mais um? Às vezes isso só gera ansiedade e frustração. Talvez o mais importante seja fazer bem a academia nos dias que você já vai e usar esse “dia extra” para algo que esteja fazendo falta na sua vida, algo que te traga mais alegria.
Que bom que voltou. Senti sua falta. Tanto que ainda escevi uma news no cometário da sua. ahahahha
beijos
feliz 4 anos de news!! eu também tava nessa mesma energia... mas to faxinando as coisas por aqui pra voltar também rs
e confesso... eu adoraria ver um come back da britinha <3